Pontos principais da participação de José Nildo Alves Cardoso, professor e advogado, no terceiro encontro de 2017 da Escola de Cidadania de Sapopemba, dia 12/05/2017

    
•    O primeiro erro é adulto falando dos jovens, da juventude.
•    Há no discurso social sobre a juventude uma série de distorções e estereótipos.
•    A imagem de jovem do sistema – discurso oficial, conservador – é do jovem como “vagabundo”, porque posto em contraposição ao “trabalhador”. Se não trabalha, não produz, então só pode ser vagabundo. Trabalhador é bom e responsável, produz e gasta. Jovem é improdutivo, irresponsável, à toa.
•    Perguntamos ao adolescente “o que vai ser quando crescer?”, e a implicação é que agora ele não é nada. 
•    A menina grávida deixa de repente de ser jovem. Ela agora é mãe, portanto responsável. Deixa de ser jovem quem trabalha e forma uma família.
•    A praça pública é para os dois extremos, os dois segmentos da sociedade que não produzem: as crianças e os velhos.
•    O jovem que dorme até meio dia é vagabundo. A adulto que dorme até meio dia está cansado de tanto trabalhar.
•    Jovem PPP, pobre, preto e periférico é vagabundo.
•    Jovem que vai ao shopping e não consume é vagabundo. Se se organiza para ir com a turma se torna uma ameaça para o sistema.
•    Havia o crime de vadiagem. Mostrar a carteira de trabalhador era não ser mais vagabundo. A policia para o jovem e ele diz “sou trabalhador”. A polícia mata o jovem e dizemos “era trabalhador, pai de família”.  
•    Também, a imagem de jovem da esquerda, dos setores progressistas, pode ser distorcida. Aí também há seus mitos e estereótipos. 
•    O jovem é “alienado”. A mídia o aliena. Ele é vítima da sociedade, coitado. Se não vem com nosso discurso é porque a sociedade, a mídia o alienou.
•    Que o jovem do rolezinho tenha uma visão política é nossa visão.
•    Temos um medo enorme dos jovens serem protagonistas do processo social porque o jovem vem com seu discurso próprio, que não será o discurso do sistema, o esperado, o certo.
•    Devemos ouvir o jovem e não falar dele ou por ele.
•    Mito também é a juventude como a idade da beleza, da força, do vigor físico, da prestança sexual.
•    Fazer o discurso da “maior experiência” é fazer o discurso que tira a autonomia, o protagonismo do jovem.
•    O “adulto jovem” é o que trabalha, que consome, que estabeleceu relações. O “jovem adulto” é que está impregnado da doença da “adultice”. Achamos legal! O “jovem jovem” tem a característica da rebeldia por natureza. Ou então sofreu domesticação. Se for domesticado, não é mais jovem.
•    A sociedade já tem suas regras estabelecidas. Sempre temos adultos controlando os jovens, falando de “valores, princípios, normas”.
•    O jovem se rebela porque ele tem que observar regras que ele não construiu, que ninguém consultou ele para estabelecê-las. Ele questiona porque não foi ele quem as fez. Vira adulto e... já não pode fazer isso e aquilo, “sempre foi assim”.
•    A natureza própria da juventude é a rebeldia. Todo processo de transformação e de insurgência social começou com gente jovem. Se o jovem não se permitir fazer a revolução, ela não será feita. Foram os jovens que começaram as grandes manifestações de 2013.
•    Juventude não é apenas preparação, mas já é tempo em que se é alguém. 
•    A juventude é uma fase (transitória), mas assim é também a idade adulta. Toda idade é uma fase.
•    Jovem é o que ele é, e o que ele diz que é, não o que está projetado para se tornar.
•    Nossa sociedade é adultocêntrica.
•    Não existe “o jovem”, “a juventude”. Existem jovens, e juventudes.
•    O Estatuto da Juventude fala de autonomia e de emancipação.
•    O conflito geracional é parte do processo de construção social, de produção da vida.

O Estatuto da Juventude e a política de Direitos Humanos na cidade de São Paulo