Pontos principais da apresentação do educador Sócrates Magno Torres na oficina para educadores da Escola de Cidadania de Sapopemba em 26 de fevereiro de 2016.


“Amar e mudar as coisas é o que me interessa mais.” (Belchior). Amar como ato de coragem.
Deixemos o pessimismo para tempos melhores!” (Frei Betto)


Por que só pode comer feijoada quarta-feira e sábado? Quem decidiu isso? O que fizeram conosco? Assim é com o machismo, o racismo, a homofobia, etc. achamos natural.
Educação popular tem que libertar e criar espaços de liberdade e pensamento crítico.
Como pode um povo alegre e acolhedor, como é em geral o povo brasileiro, suportar 60 mil mortes violentas todos os anos? Como achar normal? O que fizeram conosco?
O capital quer a padronização, a domesticação, a homogeneização, a naturalização de tudo. Ele tira a liberdade, a criatividade, a capacidade de pensar diferente. Nem nos damos conta.
A escola é um campo de concentração, lugar de reprodução da ideologia dominante, para todos serem “normais”, onde o aparelho ideológico do estado capitalista exerce sua opressão e repressão. Ao defender a escola, podemos estar lutando para que o sistema se fortaleça e continue reproduzindo a si mesmo, continue fazendo melhor o que ele faz: alienar as pessoas, torna-las “normais”. A ideologia dominante é uma orquestra que toca sem maestro, uma força invisível muito poderosa.
“Siga quem te inspira, não quem te lidera.” (Paulo Freire)
Conforme onde nascemos somos programados para sermos oprimidos ou opressores.  A mulher negra só para ser oprimida, ela vai ser discriminada, sofrer racismo e preconceito.
“Normal”, “natural” para o sistema é um homem branco, heterossexual no poder, na política.
A ideologia dominante faz com que a mãe negra e pobre do filho assassinado pela polícia declare à TV que o filho errou e que tem culpa por ter nascido pobre e negro.    
Papel do educador é libertar, despertar a consciência crítica. Se a educação não for libertadora, o sonho do menino, da menina será ser opressor também, igual ao opressor.
Descrição da trajetória de vida e do projeto de vida de duas meninas: uma que nasce em Higienópolis, outra em Heliópolis (Sócrates percorreu essa trajetória que pode ser imaginada).
Natural? A educação deve mostrar que não há nada de natural na absoluta disparidade das duas trajetórias e que isto é profundamente injusto, inaceitável. E como foi que se construiu. A menina de Higienópolis deve aprender também que não é natural ela ter tudo, pois nasceu no privilégio. 
O oprimido cresce se achando burro porque nada do que estuda tem alguma coisa a ver com sua vida.   
Porém, o/a menino/a pobre “aprende a nadar na correnteza da enchente”. Ele/ela tem muita força e capacidade de sobrevivência, que a menina rica não possui. 
“O que mais aumenta a ira do opressor é a alegria do oprimido, do pobre” (Adorno) Como pode uma vida tão miserável ser tão feliz? É para acabar com esses pobres, trancafiar, matar!
Podemos viver resignados, reproduzindo o mesmo discurso, da elite, da mídia, do sistema de poder. 
A educação tem que desalienar! Ajudar a dizer não ao que todo mundo faz, diz e pensa. A TV, a ficção, e a escola também, são alienantes. O papel do educador é expor a alienação, questionar tudo, indignar-se com a injustiça.
O questionamento é o limiar da resposta: questionar-se o tempo todo sobre o porquê as coisas são do jeito que são. Usar a imaginação para imaginar como elas podem ser diferentes. Imaginar é “criar imagens”, verdades que podem se tornar realidade.  
Educar é criar sonhos, fazer emergir sonhos e alimentá-los para que se realizem um dia. Sonho que é ignorado se perde. Sonhar ser um cidadão, uma cidadã para um dia se sentir um cidadão, uma cidadã. 
No Facebook tenho a resposta para questões que eu não levantei. Acabo vivendo a verdade do outro, do sistema. Pode ser mais uma forma de alienação.
Atrás do Marcelo Rezende e do Datena há a lucrativa “indústria do medo” que sustenta o mercado da segurança privada e justifica a repressão na segurança pública.
Logo depois vem a “indústria da fé” que serve para lidar com o medo, pedir milagres porque as coisas não podem ser mudadas pelas pessoas, precisa da intervenção divina! Haja alienação!
Às vezes quem é pela redução da idade penal e quem é contra querem a mesma coisa (cf. vídeo “É disso que estou falando”): como resolver o problema da violência. Como educadores temos que trazer as pessoas para o diálogo, a reflexão, não para a contraposição. Talvez tenha alguma coisa que elas não estão percebendo... mostrar no diálogo os argumentos...

 

Vídeos propostos por Sócrates:
O sal Tupinambá 
Gritaram-me negra
Violentamente pacífico
É disso que estou falando 

Educar é Libertar