Foi realizado, entre os meses de maio e julho, o primeiro curso de formação baseado no projeto do CDHS “Empoderando a Mulher na Comunidade”. As mulheres das comunidades do Parque Santa Madalena foram as primeiras a participar desta formação que visa a conscientização dos direitos humanos e da cidadania ativa. O curso foi realizado aos sábados no centro comunitário da Rua Nova, situado no coração de uma das favelas do Madalena. Foram recebidas 27 inscrições. O curso começou com 18 pessoas e terminou com 15, entra elas dois homens. O curso incluiu temas como identidade, autoestima, análise de conjuntura, história dos direitos humanos, Lei Maria da Penha, como funciona o Estado, mecanismos de luta, acesso aos serviços sociais e instituições públicas de defesa dos direitos.

 

O grupo visitou o Centro de Defesa e Convivência da Mulher e outras entidades para conhecer os recursos da região. Também, organizou um mutirão de limpeza no centro comunitário em vista de um encontro cultural com pessoas de outras comunidades. Concluiu-se com a entrega de certificados e um almoço com a presença dos familiares.

 

Foi lindo poder observar a evolução dos participantes na formação!”, diz Valdênia, a principal assessora do curso. “Quando chegaram, com exceção de poucos mais desinibidos, as pessoas se mostravam tímidas, algumas cabisbaixas. Os dois primeiros encontros foram reveladores. Trabalhamos com o tema da identidade. Em uma das atividades, passamos um espelho para que elas pudessem se ver e dizer o que viam. “Sofrimento” foi a palavra mais comum. Algumas diziam que não gostavam de se ver. Os olhos lacrimejavam em meio a um silêncio que gritava por socorro, liberdade, acolhida... não sabemos bem, mas algo estava certo, elas queriam estar ali”.

 

Durante as formações, houve alguns homens da comunidade, adolescentes e jovens, que perguntavam quando haveria um curso para os homens. Os educadores consideram esse pedido como um desafio e esperam para um futuro breve poder respondê-lo, pois os rapazes têm razão quando dizem que há iniciativas com as mulheres e as crianças, mas que eles quase sempre ficam de fora.

 

Os encontros foram acontecendo e já no meio do curso as reivindicações para que a formação não tivesse fim se tornavam cada vez mais fortes. Os educadores lembravam aos participantes que o curso não teria fim porque seu objetivo era formá-los para que, “empoderados” de seus direitos, pudessem agir com mais força em suas famílias e comunidade.

 

Uma das participantes chegou grávida para a formação e deu à luz a um menino dois encontros antes de acabar o curso. Sua presença criou um clima de cuidado, de acolhida, de esperança que engrandeceu a formação. Os laços afetivos que foram criados foram tais que ela deu à luz em uma terça feira e no sábado seguinte, lá estava ela com o bebê nos braços para participar do curso. Ela que tinha chegado cabisbaixa e envergonhada porque não sabia ler passou a assumir sua liderança com os recursos que ela já tinha. O que os encontros de formação fizeram foi ajudá-la a percebê-los e confiar em si mesma.

 

Entre os resultados da formação está o compromisso das mulheres de começar a participar ativamente da associação de moradores para que juntas pudessem buscar melhorias para a comunidade. Outro ponto positivo é que novas pessoas passaram a buscar ajuda no CDHS depois que foram orientadas por mulheres que participaram do curso.

 

Está previsto ainda para o mês de setembro o início do segundo curso que será realizado no Pró-Morar, importante conjunto habitacional popular do Sapopemba. O Pró-Morar foi construído como parte de uma política de higienização da cidade promovida na gestão de Paulo Maluf. Foi criado para abrigar as pessoas pobres que moravam em favelas no centro da cidade, em terrenos de interesse da especulação imobiliária. À época foi construído sem nenhuma infraestrutura de saneamento básico, escolas ou centros de saúde. A escolha do Pró-Morar para realizar o segundo curso de formação é devida a um pedido de lideranças sociais que ali trabalham e por entender que são as mulheres dessas comunidades que precisamos alcançar.

 

Curso de formação para a cidadania com mulheres da favela Rua Nova